quarta-feira, 26 de março de 2008

Renata Adegas

Do pop rock internacional para a MPB: uma mudança inesperada e, até mesmo, improvável para quem nunca tinha pensado em ser cantora. A gaúcha Renata Adegas iniciou seus estudos na música com 12 anos, mas começou a cantar apenas aos 17 anos, junto com a sua entrada na faculdade de Design.

"Tudo começou com um amigo de meu irmão que frequentava a nossa casa. Um dia ele me viu cantando num Karaoke na festa de aniversário de um amigo em comum, e como ele estava começando a montar uma banda cover e pop rock, ele resolveu me chamar", conta ela. A banda se chamava Soul Addiction, e se apresentou em diversos bares de Porto Alegre, como o bar Opinião, Manara Bar, Cult Bar, Barbazul, entre outros. E foi assim, conciliando os shows, os estágios e a faculdade, que Renata descobriu que queria ser cantora. Mas, mesmo com essa certeza, ela se formou na faculdade. "Confesso que foi meio penoso, mas valeu a pena", diz ela.

A MPB surgiu por acaso em sua vida. Sem nenhuma influência musical na família, Renata foi conquistando seu espaço na música sozinha. E foi em 2002, após trabalhar por quatro anos na banda Soul Addiction, quando Renata foi convidada para integrar a banda do Abbey Road Studio Pub, que a MPB começou a entrar na sua vida. "Os meus chefes começaram a comentar comigo que pessoas que frequentavam a casa estavam comentando em ouvir coisas da Elis. Até então, eu sabia quem era Elis, acho que como a maioria das pessoas da minha idade, assim muito superficialmente. Mas, pintou a ideia de fazer um show disso".

Então, Renata convidou um amigo músico ligado à Jazz e MPB para ajuda-la na composição desse show. Foram meses de ensaio e muito estudo, devido a grande dimensão da carreira de Elis Regina. "Por alguma razão, aquela música veio naturalmente para mim, não tive dificuldades em canta-lá, pois tinha me apaixonado, sabia que era aquilo que iria fazer", diz Renata.

Depois da estréia desse show, Renata tornou-se conhecida e respeitada em Porto Alegre, começando a conquistar seu espaço no cenário musical. "Fiquei extremanente feliz, porque tinha me encontrado".

E entre esse mudança do pop para a MPB, Renata também participou da trilha sonora dos filmes "O homem que copiava" e "Extremo Sul", em que foi dirigida pelo produtor Léo Henquin, integrante da banda Papas Da Língua.

Em 2005, Renata deixou a Banda Abbey Road para se dedicar mais à sua carreira e à produção de seu primeiro disco.E esse disco, que vem com a produção de Geraldo Flach, arranjo de Michel Dorfman e vários músicos convidados, tem como sonoridade principal a MPB moderna.Renata mostrará canções inéditas de sua autoria, em parceira com Michel Dorfman, além músicas de compositores brasileiros da nova geração. A previsão é que o cd seja lançado em junho desse ano.

Foto: Lusiane Martinez

sábado, 15 de março de 2008

Raquel Koehler

Com um swing e uma força incomparáveis, a niteroiense Raquel Koehler é pura energia. Filha de um engenheiro e uma motorista de ônibus escolar, Raquel não tem nenhuma influência musical na família. Sendo assim, o começo de seu contato com a arte foi de uma maneira estranha, como ela mesma define.

Raquel começou a trabalhar cedo, e aos 17 anos já estava empregada em um cartório. "Minha vida estaria feita, se não fosse uma grande inquietação e rejeição ao normal", comenta ela que, aos 21 anos largou a Faculdade de Direito e o cartório, e foi fazer Publicidade. Mas, seis meses depois dessa mudança, e não muito satisfeita com a escolha, Raquel decide fazer Faculdade de Teatro.

E foi aí que ela descobriu a música. Desempregada e sem ter como pagar a faculdade, Raquel foi estagiar numa agência de publicidade, e foi lá que conheceu seu primeiro parceiro e fez sua primeira música. Foi também nessa época que ela começou a fazer seus primeiros shows. "Descobri que toda essa inquietação é uma virtude ou defeito de fábrica dos artistas (risos)", diz Raquel.

Aos 23 anos, voltou para o cartório, mas agora com um objetivo certo: esse emprego financiaria a sua carreira. E, assim, foi descobrindo que era da música que ela sempre quis viver, mas talvez não acreditasse que fosse possível.

E foi um grande desafio o responsável pelo lançamento de seu primeiro cd, "Pilhagem". "Recebi a letra de 'Fazer o quê?!' de Kinho Vaz, um grande amigo e poeta que, como em um desafio, me deu a letra e um prazo para devolvê-la pronta, cantada. Numa 'piração' de poucos dias acordei cantando, coisa de maluco mesmo", conta ela que, a partir daí, conheceu muitas pessoas que a apresentaram material de grandes compositores. E, desse conhecimento todo, surgiu o cd. E nele, há músicas de compositores como Marcos Lima e Vitor Carvalho, ambos conterrâneos de Raquel. "O mais legal foi me permitir ser fã desse pessoal, intérprete mesmo. O que, na minha opinião, é meu maior talento (risos)".

Assim, Raquel ficou um ano gravando o cd, e foi um ano de grande aprendizado para ela. Mas, mais uma vez, estava ela presa numa sala, como na época em que trabalhou no cartório e na agência. E sobre isso, ela comenta: "Esse um ano me fez ter pelo estúdio um grande respeito, encantamento e pavor. Era uma relação seca, fria, quase aquela da mesa do computador no cartório e na agência. Descobri que se fosse atriz, só me daria bem no teatro, porque além de ser artista, o que eu gosto mesmo é de aparecer (risos)".

Dentre os grandes incentivadores de sua carreira estão Fátima Regina, grande cantora de Bossa Nova e formadora de carreiras - considerada pela Raquel, a mãe da sua -, e Zé Netto, que veio a ser o produtor e arranjador de seu disco.

E é com toda essa simpatia que Raquel vai seguindo o seu caminho, atrás do seu sonho. Em quatro anos de carreira, ela já conquistou uma grande estrutura, com uma equipe e um cd gravado, além de muitas pessoas apostando e incentivando o seu trabalho. E toda essa vontade de vencer passa para o público de seus shows, que está aumentando a cada apresentação. "Nos encontramos em um novo momento da música brasileira, onde paramos de nos preocupar com os rótulos. Estamos nos entregando ao Brasil, um Brasil cheio de injustiças, mas de uma sonoridade indiscutível. É difícil se manter nesse meio, mas tenho certeza que não é impossível".

segunda-feira, 10 de março de 2008

Maricel Ioris

Como um diamante, que é lapidado aos poucos até atingir a forma desejada, um grande talento vai se formando ao longo dos anos. E, assim foi com Maricel Ioris. Desde pequena, incentivada pela mãe, ela participava de apresentações infantis. Mas, foi aos 19 anos que começou a cantar profissionalmente, quando montou a banda Lunnes, com composições próprias. A banda durou até 2002, quando Maricel já tinha clara a sua vontade de seguir uma carreira solo.

Mas, viver de música não é fácil. Assim, como muitos artistas, Maricel exerceu - e ainda exerce - outras funções além de cantar. Ela foi vendedora e deu aulas de inglês e espanhol, e agora faz faculdade de Letras na UFPR. "Para sobreviver só de música é preciso ter muita garra e paciência, pois não é fácil e demora um pouco", diz.

E, como todo artista que está iniciando uma carreira, Maricel enfrenta dificuldades para lançar cd e divulgar seu trabalho. Mas, com a internet, fica mais fácil, e é assim que o seu trabalho vai se tornando conhecido. O famoso "boca-a-boca" é o grande responsável por espalhar suas canções. Mas, mesmo com a internet facilitando o contato das pessoas com seu trabalho, o cd de Maricel continua sem previsão de lançamento.

Suas letras tocantes, que ultrapassam as palavras, encaixam perfeitamente com a sua encantadora voz. As músicas envolvem a quem está ouvindo, passam uma verdade. Ao mesmo tempo que são intensas, têm uma delicadeza e uma suavidade únicas.

Como diz "Princípios", uma de suas músicas, vivemos em um mundo onde as pessoas se perderam no meio do materialismo. E, assim, a falta de sensibilidade faz com que deixem de perceber e apreciar o que está a sua volta. Mas, cantoras como Maricel trazem de volta, com suas músicas, sentimentos esquecidos no meio de tanta correria e disputas. Que o talento dessa cantora chegue ao coração de cada um daqueles que sentem a música, muito mais do que apenas a ouvem.

Agenda:
30/03/2008
ANIVERSÁRIO DE CURITIBA!
14h - Praça Central da Vila Nossa Senhora da Luz (CIC)
Curitiba/PR -
Entrada FrancaRua David Xavier Silva (em frente a Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz)