sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Tropa de Elite

Abrir o jornal e ler notícias sobre violência, invasões e mortes tornou-se comum para os cariocas. Mas ver esse cotidiano retratado em um filme, é uma forma de não ter como fugir da realidade e encarar o problema de frente. Tropa de Elite, dirigido por José Padilha, cumpre bem o papel de desmascarar essa realidade tão presente na vida dos cidadãos cariocas.



O filme conta a história de Nascimento (Wagner Moura), capitão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) que, ao mesmo tempo que procura por um substituto, tem que comandar uma equipe em uma missão para "apaziguar" o Morro do Turano. Além da pressão constante que vive no seu trabalho, há a pressão de sua mulher Rosane (Maria Ribeiro), que está no final da gravidez e todos os dias o pede para sair da linha de frente do Batalhão. Mas é nessa missão que Nascimento encontra a chance de cumprir a sua vontade e a de sua mulher. Ele conhece Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro), aspirantes a comandantes da PM, honestos e cheios de energia, o perfil ideal para um capitão do BOPE.


Paralela a essa busca pelo substituto de Nascimento e as invasões nos morros da cidade, o filme mostra um dos principais contribuintes, mesmo que indiretamente, do tráfico: os estudantes de classe média. O perfil mostrado no filme é daqueles estudantes com boas condições de vida, que se envolvem com drogas pelo simples fato de "curtirem" a vida, achando que não estão fazendo nenhum mal. E José Padilha foi feliz em abordar esse tema da forma como fez, real e sem sensacionalismos, apenas mostrando a esses jovens o quão irresponsáveis eles estão sendo enquanto estão pensando apenas em "curtir" a vida. Quantas crianças não entram para o tráfico para que esses jovens possam fumar seu baseado. E, enquanto a violência não bate nas portas desses jovens, para eles, tudo está normal.


E também não pode-se esquecer da atuação de todo o elenco, que passou toda a veracidade e emoção necessárias a cada um de seus personagens. Ao assistir o filme, era possível sentir-se assistindo a uma reportagem sobre a invasão de um morro.


Pode ser que esse filme tenha chocado a muitos que o viram. É difícil encarar a realidade, assim, tão de frente. Mas a sociedade carioca estava precisando desse "banho de realidade" para acordar e perceber que a situação que a cidade está vivendo é muito mais grave do que imagina e se mostra. Pois se não bastasse a violência nos morros, há ainda a corrupção de policiais que, em vez de proteger os cidadãos, ajudam o tráfico em troca de dinheiro. Muitas pessoas inocentes morrem todos os dias por causa da incompetência de nossas polícias, ou pela falta de vontade dela de melhorar a segurança da população.


Tropa de Elite é um filme que vai ficar na história. Não apenas por ter vazado na internet antes de seu lançamento, mas por alertar de forma clara que o Rio de Janeiro precisa de ajuda. E que há muito mais a ser mudado do que se imagina. A cidade precisa acordar para a realidade que a cerca.
Para mais informações sobre o filme, clique AQUI

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Tropicália

No meio de toda a repressão e censura, tão conhecidas na época da ditadura, surge um movimento artístico que se tornou um marco da década de 60. Tropicália - uma revolução na cultura brasileira é a o nome da exposição que vai contar um pouco sobre grandes nomes, não só da música, mas do cinema, artes plásticas, teatro, arquitetura e da literatura, que fizeram história e deixaram sua marca.

A exposição, que está à disposição do público no MAM, Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, já passou por Nova York, e foi um grande sucesso de público. Inspirada do projeto de Lina Bo Bardin para o Teatro Oficina, em São Paulo, a exposição foi toda montada em cima de andaimes, dando vida ao conceito de precariedade, estratégia usada pelos tropicalistas. Essa estrutura participativa convida o visitante a reinventar a exposição, à medida que suas divisões, plataformas e rampas os conduzem por ela, estabelecendo, assim, contato com a mentalidade da Tropicália.

Tropicália dá destaque às principais obras da Nova Objetividade Brasileira, exposição apresentada no MAM, em 1967, e que contou com a participação de vários artistas, incluindo Lygia Clark, Antonio Dias, Hélio Oiticica e Lygia Pape, os quais buscaram definir uma identidade para a arte brasileira contemporânea.

A mostra já começa de uma forma diferente: contém uma piscina de bolas em sua entrada, o que atrai não só crianças, mas, também, adultos. E essa interatividade exposição-público pode ser percebida ao longo de toda a exposição, fazendo com que o público, literalmente, entre na alma desses artistas. Um exemplo dessa interatividade é a parte da mostra que contém as obras de Lygia Clark. Para ela, a obra de arte deve exigir uma participação imediata do espectador e ele, espectador, deve ser jogado dentro dela.

Assim, Tropicália traz uma linha do tempo documentando os anos-chave do período tropicalista, com trechos de shows de Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes e Caetano Veloso, bem como programas de televisão, exemplares de revistas, trailers e cartazes de cinema.

Esta exposição, com o patrocínio da Petrobras, é a primeira exposição que se dedica à Tropicália como momento cultural – que durou de 1967 a 1972 -, e que busca, também, mostrar suas influências nas novas gerações
de artistas nacionais e estrangeiros.


Tropicália - uma revolução na cultura brasileira
Até 30/9
MAM - Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo.
R$ 4 (R$ 2 a meia entrada)